O passado e o presente
Para muitos, o presente não difere muito do passado. E, em parte, é verdade.
Pela calma, pela pureza, pelo sossego, pouca coisa mudou.
Será justo salientar que este último (gasómetro) fora altamente divulgado pelas extintas minas do Pejão. Na verdade, era esse o meio de iluminação mais utilizado pelos trabalhadores mineiros e, consequentemente generalizado para fins domésticos.
Em Guirela, nesse tempo, a energia eléctrica era ainda uma miragem, pelo que o meio de iluminação citado, era rei e senhor na maior parte dos lares.
O “relógio” era um local onde, devido a factores geográficos, se centralizavam as poucas actividades de lazer: Um jogo de malha, uma cavaqueira, um jogo de cartas ou dominó numa das duas “lojas” existentes. Esporadicamente, um baile improvisado, ao fim de semana. Eram as poucas distracções da terra. Merece uma explicação o nome “relógio” para o local referido com esse nome.
É que, numa casa contígua, havia um relógio de sol, sabiamente colocado por um antepassado. Um relógio feito em pedra de granito, com um mostrador de lousa e um ponteiro de ferro cuja sombra caía em cima do mostrador, apontando a hora aproximada.
A precisão horária não era famosa.mas a calma e a pacatez da vida desconheciam a palavra “stress”
Conforme inscrição gravada na pedra, esse relógio data de 1827
A precisão horária não era famosa.mas a calma e a pacatez da vida desconheciam a palavra “stress”
Conforme inscrição gravada na pedra, esse relógio data de 1827
A caixa do correio,situada nesse mesmo local,era o único meio de comunicação com o exterior.
Uma palavra de apreço e gratidão pelo "carteiro"dessa época que, diariamente, fazia longas caminhadas, no brioso desempenho da sua atividade, quantas vezes em condições adversas de chuva e frio.
Os aerogramas eram sempre aguardados com aquela ansiedade de quem necessitava de um constante testemunho de vida de algum familiar, eventualmente no meio do capim, lutando pela própria vida.
Se as cartas falassem, talvez tivessem muito para contar...
Quantas vezes os corações femininos batiam mais depressa, na ansiedade da chegada do carteiro...
Guirela hoje…
Um pouco diferente… Com a chegada do telefone, (alta inovação para a época) com a chegada da energia eléctrica, com a chegada do alcatrão nas estradas de acesso, muita coisa mudou. Mas
Guirela é e será sempre Guirela. Uma aldeia pacata e bonita onde se encontram já casas reconstruídas numa base actual, mas sem perda da sua rusticidade. Casas que aliam o rústico ao moderno numa perfeita simbiose convidativa a um descanso bem repousante e tranquilo.
Essa é a minha (nossa) Guirela …terra cujo encanto se mantém firme nas saudades que ficam no coração daqueles que um dia tiveram a ventura de a conhecer
Algumas fotos

Capela reconstruída na década de 60, com empenho e esforço dos habitantes locais, foi inaugurada a 15 de Setembro de 1967

Detalhe da imagem da padroeira, Sra da Livração, cuja festa se realiza a 15 de Agosto.

Um exemplo de brio dos habitantes desta aldeia.

Panorâmica parcial
De salientar as andorinhas nos fios telefónicos
15 Agosto 2011
Mais algumas fotos
Sabem o que é acordar ao som estridente da passarada , em pleno desafio, frente à janela?
Sabem o que é deixar-se envolver por esse desafio e sentir até vontade de participar nele?
Sabem o que é abrir a janela e inalar aquele ar puro que faz ferver o sangue?
Sabem, por acaso, o que é trocar sorrisos com um sol que nos entra janela dentro sem pedir licença?
A isso chama-se PRIMAVERA EM GUIRELA
Paticipem desses desafios. Deixem-se envolver por eles e disfrutem da hospitalidade, da tranquilidade e do sossego que nos são oferecidos nesta simpática aldeia




Um comentário:
Primavera em Guirela! Não podemos esquecer os tapetes floridos e bem aromáticos que, nos dias de Páscoa, indicavam a passagem do Compasso. Embora hoje ainda se façam, não têm aquele entusiasmo que, quando crianças, nos levavam aos montes à procura das mais lindas flores silvestres - o rosmaninho e as "bolotas" (que nada têm a ver com as bolotas dos sobreiros)... - lembras-te?
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