E a professora Generosa, ali à janela com o seu constante sorriso (ao lado da minha avó paterna, a avó Joaquina)
E a professora Irene Almeida? Aquela jovem bonita, atraente, mas... que aterrorizava os alunos! Não é nenhum bebé que ela segura no colo, mas a minha pobre boneca de cartão que "morreu afogada", um dia em que lhe quis dar banho... e ela desfez-se... Pobre Joana (era assim que lhe chamava!)
E, a relembrar a pobre Joana, deixo extratos do poema
MENINA
TRAQUINA
Menina traquina, de laços no cabelo,
olhos de amêndoa, sonhando as casinhas,
criando o teu mundo de fantasias,
braços cruzados a idealizar a vida...
Brincavas com a Joana, boneca de cartão,
e com o João,
menino careca, também de cartão.
Grande desilusão!
Deste-lhe banho, esqueceste-a na água,
lá se foi a Joana!
Ficou feita em papas a tua boneca!,
mas sobejava-te ainda o João careca!
Que lhe fizeste, menina traquina?
Foi-se um braço, foi-se uma perna...
Ficaram os calções, os vestidos da Joana
e meio João... O resto acabou-se!
Deitou-se ao lixo o farrapo de cartão!
Ficaste sozinha, sem Joana nem João!
Mas a tua cabecinha
sempre criou mundos lindos de fantasia...
Vieram mais bonecas
de plástico, de trapos, de meias.
Eram as tuas meninas, a tua alegria...
Um dia cresceste, deixaste as bonecas,
as casinhas, as plantas, as tuas couvinhas,
esqueceste as danças de roda,
a macaca, a bola e o pião...
Já não tinhas Joana nem João,
construíste outro universo,
outro mundo de gente adulta,
onde cresceste alheada na tua imaginação.
olhos de amêndoa, sonhando as casinhas,
criando o teu mundo de fantasias,
braços cruzados a idealizar a vida...
Brincavas com a Joana, boneca de cartão,
e com o João,
menino careca, também de cartão.
Grande desilusão!
Deste-lhe banho, esqueceste-a na água,
lá se foi a Joana!
Ficou feita em papas a tua boneca!,
mas sobejava-te ainda o João careca!
Que lhe fizeste, menina traquina?
Foi-se um braço, foi-se uma perna...
Ficaram os calções, os vestidos da Joana
e meio João... O resto acabou-se!
Deitou-se ao lixo o farrapo de cartão!
Ficaste sozinha, sem Joana nem João!
Mas a tua cabecinha
sempre criou mundos lindos de fantasia...
Vieram mais bonecas
de plástico, de trapos, de meias.
Eram as tuas meninas, a tua alegria...
Um dia cresceste, deixaste as bonecas,
as casinhas, as plantas, as tuas couvinhas,
esqueceste as danças de roda,
a macaca, a bola e o pião...
Já não tinhas Joana nem João,
construíste outro universo,
outro mundo de gente adulta,
onde cresceste alheada na tua imaginação.
(...) (...) (...)
Que bom seria ser sempre
criança,
ter nos olhos a luz da esperança,
ser menina traquina, sempre a sonhar,
mas ter na vida a força para amar!
ter nos olhos a luz da esperança,
ser menina traquina, sempre a sonhar,
mas ter na vida a força para amar!
Hoje, a menina que
foste, a mulher que és,
(...)
tem tanta saudade de quando chorou
a crueldade da Joana afogada
e do crescimento que idealizou...
(...)
tem tanta saudade de quando chorou
a crueldade da Joana afogada
e do crescimento que idealizou...
De Maria La-Salete Sá



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